Minicursos Ofertados

Prof. Me. Orlando Rodrigues Ferreira

O minicurso aborda a Astronomia no enfoque da Ciência, Tecnologia e Sociedade [CTS], que o autor denomina de CTS-Astro. Observa o International Year of the Astronomy 2009 [IYA 2009] como uma das mais importantes experiências CTS realizadas em âmbito mundial, ocasionando uma integração sem precedentes entre as áreas científicas, tecnológicas e humanas, com impactos positivos em diversos setores da sociedade e que atualmente ainda permanecem dignos de estudos, principalmente no país devido à realização do Ano Internacional da Astronomia no Brasil 2009 [AIABrasil- 2009]. A Astronomia também é investigada na área da Educação, da Astrobiologia e da poluição do ambiente espacial. Nas três sessões do minicurso, totalizando 270 minutos, quatro temas instigantes serão abordados: 1) CTS-Astro: Astronomia no enfoque da Ciência, Tecnologia e Sociedade [45 minutos]; 2) Educação e ensino de Astronomia e a Divulgação Científica [45 minutos]; 3) Astrobiologia e exoplanetas: probabilidades da vida no Universo [90 minutos]; 4) Debris espaciais, a poluição tecnológica na órbita terrestre [90 minutos].

Guilherme do Amaral Carneiro
Helena Salla

Os temas científicos estão cada vez mais presentes na vida cotidiana, os avanços e impactos sociais, econômicos e ambientais de novas tecnologias trouxeram novos desafios e problemas a serem debatidos. Possibilitar que o cidadão participe das decisões democráticas sobre ciência e tecnologia pode auxiliar na construção de uma sociedade mais democrática. Neste contexto, destaca-se o papel da escola e do professor no ensino de Ciências. Um dos objetivos do ensino de ciências, orientado por currículos que priorizem o letramento científico dos alunos, é a formação de cidadãos mais críticos. A proposta é que sejam formados cidadãos que tenham a capacidade de tomar decisões de forma mais responsável sobre temas sociocientíficos e que compreendam melhor os fenômenos que acontecem ao seu redor.

A incorporação do letramento científico no currículo escolar possibilita não só a compreensão das relações entre ciência, tecnologia e sociedade, mas também fornece subsídios para a melhor tomada de decisão pessoal e coletiva, a partir da contextualização do conhecimento científico e sua produção ao longo da história da Ciência. A compreensão desses fenômenos e dos laços entre a ciência e a tecnologia coloca em relevância os temas que envolvem a compreensão pública e a participação dos cidadãos acerca da ciência e da tecnologia, na tentativa de contribuir para a construção de sociedades mais democráticas.

Os objetivos desse minicurso são fomentar a discussão acerca da inclusão do letramento científico como objetivo fundamental do estabelecimento de currículos escolares, refletir sobre a influência direta e indireta do desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia na cultura escolar e fornecer aparatos pedagógicos para a elaboração de intervenções didáticas voltadas a inclusão de discussões apoiadas nos Estudos CTS para o ensino de Ciências.

A ideia é proporcionar um ambiente de troca de experiências e a construção coletiva de intervenções didáticas que tenham como pressuposto o pluralismo metodológico, que se inspirem nas discussões em CTS e nas diferentes perspectivas de abordagem em ensino de ciências, como as propostas de ensino por investigação, em história e filosofia da ciência, bem como aquelas que exploram atividades práticas, experimentais, em espaços não formais e no uso de tecnologias da informação e comunicação.

Luis Reyes-Galindo

O curso oferecerá dicas de como planejar a publicação de um artigo em uma revista de língua inglesa na área dos Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (Science and Technology Studies).

A ideia por trás do curso é que a publicação em uma revista internacional vai além de uma simples tradução linguística de um texto, já que se trata também de uma aproximação a uma cultura de escritura acadêmica diferente. Isto compreende distintos modelos de comunicação entre pares – essencialmente diferenças dentro do que estudos clássicos de CTS chamam de ‘estilos epistêmicos’ e ‘culturas epistêmicas’ (Fleck 1935, Knorr-Cetina 1999).

O curso se baseará na experiência de Luis Reyes-Galindo como autor, editor e revisor para revistas CTS e de sociologia geral internacionais de alto prestigio, e aproveitará material didático usado em universidades dos Estados Unidos para o treinamento de estudantes de pós-graduação. Apesar disso, o curso não consistirá em um “manual” de escrita, dado que deve se reconhecer a importância que os elementos tácitos possuem na inserção de um autor dentro de uma comunidade acadêmica internacional. Ainda assim, o curso se posiciona como um ponto de partida para esse propósito.

Entre as questões a serem discutidas, o curso tratará dos seguintes temas:

  • Por que e para que publicar em uma revista (inter)nacional?
  • A organização geral de um texto em uma revista CTS internacional.
  • O estilo de um texto acadêmico em inglês comparado com os estilos latino-americanos.
  • A importância da pesquisa empírica para os estudos CTS internacionais.
  • Considerações metodológicos na escrita de um artigo internacional.
  • Do contexto local ao contexto internacional: como fazer um artigo relevante para uma audiência internacional
  • Dicas práticas para localizar os debates relevantes dentro de uma comunidade CTS internacional.
  • A importância de uma bibliografia ampliada para o contexto internacional.
  • Revistas relevantes para os autores latino-americanos em CTS.

O enfoque do curso é prático e será dada prioridade a alunos e pesquisadores que tenham já um projeto de escrita iniciado.

Profa. Dra. Tania Elias Magno da Silva
Profa. Msc. Juliana Almeida

Os avanços no campo da ciência e da técnica tem fomentado a necessidade de se estabelecer novas fronteiras de diálogos entre as diferentes áreas do conhecimento, para que se possa compreender todo o processo de transformações da vida social em curso, bem como avaliar os impactos e propor estratégias de ação para minimizar possíveis impactos e garantir tanto a continuidade do processo de desenvolvimento científico e tecnológico, como a preservação da vida das pessoas e do meio ambiente. Neste sentido o debate não pode ficar restrito as áreas estritamente tecnológicas, ao campo das chamadas ciências duras, mas deve buscar a aproximação com as ciências humanas e sociais, pois só elas poderão analisar a relação entre o avanço tecnocientífico e os impactos na vida social e cultural. Este novo cenário exige estudos transdisciplinares no sentido de apreender a globalidade dos efeitos deste desenvolvimento técnico e científico.

Outro dado que deve pontuar os estudos é a relação entre os interesses sociais e os interesses de mercado que estão alavancando certas pesquisas, pois a medida que a produção é potencializada pelo avanço tecnocientífico, cresce a oferta de novos e diferentes produtos no mercado, o que gera necessidades sempre crescentes e impulsionadas por um modelo de vida calcado no desejo, no consumo e na volatilidade das coisas (BAUMAN, 2001:201), mas nem sempre, ou raramente, que a preocupação é social, ou seja, que estes novos produtos estejam accessíveis a todos.

Como afirma E. Morin, a ciência é intrinsicamente, historicamente, sociologicamente e eticamente complexa. Não pode ser interpretada por um pensamento simples, mas implica um pensamento complexo e uma dialógica constante entre as fronteiras do saber, entre os diversos atores envolvidos direta e indiretamente no processo (MORIN: 1994).

Não devemos nos esquecer de que os processos de pesquisa científica e de inovação tecnológica sempre foram alvo de um conflito de interesses políticos, pois a ciência como produto humano não é neutra, está dirigida aos interesses dos que investem em sua produção e desenvolvimento. Os engenheiros e os tecnólogos envolvidos na inovação têm visões específicas de uma sociedade futura com grandes implicações políticas (GOULD, 2005:245).

Embasados nas colocações acima surgiu a proposta deste mini curso, cujo ponto central é discutir as implicações sociais, econômicas, ambientais, políticas e culturais entre alimentos transgênicos, nanofoods e segurança alimentar. Nos detemos sobre os benefícios e potenciais riscos que o uso de alimentos transgênicos e/ou à base de nanotecnologias podem acarretar para a saúde humana e o meio ambiente. Duas perguntas norteiam o trabalho: Os transgênicos e o uso de nanotecnologias na produção de alimentos são a solução para o problema da escassez de alimentos no mundo? Quais os riscos ambientais e para a saúde humana envolvidos neste tipo de alimento? Estamos realmente diante de uma nova revolução na produção de alimentos? Podemos falar de modernidade alimentar ou seria melhor falar de modernidade da fome? Como equacionar o problema da ética científica e os interesses de mercado?

Na resposta a essa questão partimos do pressuposto que o desenvolvimento da ciência e da tecnologia dependem de investimentos financeiros e há uma interdependência entre tecnologia e sociedade e uma estreita relação entre a produção de conhecimento, as novas tecnologias e o mercado (cf. SAREWITZ e WOODHOUSE, 2006).

Os avanços e conquistas no campo tecnocientífico voltados para a produção de alimentos, vem alterando a nossa cultura alimentar tradicional, substituindo-a por uma nova cultura da alimentação, potencializando o crescimento da indústria alimentar, que coloca no mercado, para o público em geral, novos produtos e uma variedade de opção de escolhas. Esta maior variedade de alimentos contudo, não corresponde a uma melhor alimentação do ponto de vista nutricional, pois não raro estamos substituindo uma alimentação mais saudável e nutritiva – é o caso do nosso tradicional arroz e feijão – por comidas menos saudáveis e nutritivas, chamadas pelos especialistas de “comida lixo”.

Talvez até estejamos em alguns casos comendo mais, mas pior e o que é mais grave, a obesidade tem crescido no mundo ao lado de um outro tipo de fome: a fome da abundância. Não é uma questão de “encher” o estomago, mas de se alimentar corretamente, de saber diferenciar alimentação de nutrição. Estamos alimentados e nutridos? Qual o papel da mídia neste caso? A importância das redes alternativas de divulgação científicas para mobilização e educação da população.

O curso parte de três eixos condutores:

  1. O que é a transgenia e o que é Nanotecnologia (as)?
  2. O que é Segurança Alimentar?
  3. O que é ética científica?

Está dividido em 07 tópicos, mais a conclusão e bibliografia utilizada.

  1. Transgênicos o que são?
  2. Nanotecnologia: uma nova tecnociência?
  3. Segurança Alimentar, o que é?
  4. Você sabe o que está comendo? Que comida é essa?
  5. A rotulagem como solução? Certezas e incertezas
  6. Transgênicos, Nanofoods e Segurança Alimentar: Alimentos para todos?
  7. Avanços tecnocientíficos e Segurança Alimentar: Entre a ética científica e os interesses de mercado.

Ao final será fornecida uma bibliografia básica

Sebastião Rodrigues-Moura
Alexandre Guimarães Rodrigues
Licurgo Peixoto de Brito

Esta proposta se assenta nas premissas que fundamentam a Alfabetização Científica e Técnica (FOUREZ, 2003), o enfoque Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) e apresenta uma postura inter(trans)disciplinar para o ensino de temas contemporâneos aplicados à educação em ciências (física, química, biologia e disciplinas afins) como eixo central, que vislumbra o detalhamento de situações-problemas de investigação científica, bem como faz estruturações, detalhamentos, compreensões, aplicação e implicações da ciência e tecnologia e suas aplicabilidade no meio social. Dessa forma, balizamos o minicurso em dois pilares educacionais: um que visa analisar e discutir como os estudantes se apropriam de conhecimentos a partir da aplicação de um produto educacional sobre física de partículas com vistas à alfabetização científica e técnica; e a outra na utilização de um referencial teórico-metodológico que se embasa na DBR-TLS (Design-Based Research – Teaching Learning Sequence) e enfoque CTS, no qual o público será co-investigador da sua ação e apresentará nuances práticas de sua formação, na perspectiva de se implementar suas ideias em produção de portfólios. Para que o minicurso cumpra os objetivos apresentados de forma satisfatória é proposta uma metodologia com abordagem qualitativa que abordem técnicas de pesquisa usadas nas pesquisas em educação em ciências e será ministrado com exposições seguidas de debates, orientadas por textos, em quatro encontros de duas horas, contabilizando 8 horas no total, assim descritos: no primeiro encontro será feita uma análise sobre a abordagem DBR-TLS com vistas à Alfabetização Científica e Técnica e apresentação do produto educacional programado para o minicurso. No próximos dois encontros subsequentes serão feitas análises e a aplicação do produto educacional junto ao público, com levantamento de dados e produção de portfólios em equipe de trabalho. No último encontro, será feita a aplicação de um jogo de tabuleiro sobre o tema em foco e a sistematização final dos portfólios para apreciação do grupo e levantamento de dados para aprimoramento da proposta de inovação educacional. Diante da metodologia empregada, em especial dos objetivos de cada ação pedagógica, são levadas em consideração a formação de multiplicadores e de sujeitos socialmente participativos com vistas à educação científica e técnica, suas compressões, bem como as aplicações e implicações da ciência e tecnologia para a sociedade. Dessa produção, haverá uma sistematização de ideias, levantando novos aspectos a partir da situação vivenciada no minicurso por meio da construção de conhecimentos científicos e técnicos levando-se em conta as múltiplas compressões dos sujeitos e o papel da ciência e tecnologia na sociedade.

Sayonara Leal
Marcelo Fornazin

A controvérsia é um assunto de debate público em torno do qual atores tomam posições
diferentes e consequentemente diversas incertezas são produzidas, misturando
considerações jurídicas, morais, econômicas, econômicas e sociais. As controvérsias se
traduzem em lugares epistêmicos que produzem conhecimentos a partir de determinadas
problematizações enriquecendo as relações sociais, dando visibilidade a, pelo menos, três
desenvolvimentos: 1) cientistas e tecnocratas não detêm o monopólio do saber legítimo,
2) manifestação das capacidades críticas dos atores concernidos e 3) a reversibilidade das
relações de poder, segundo o princípio de simetria.
Nosso intuito no minicurso, aqui proposto, é discutir a interface entre práticas
tecnocientíficas e características do social e do político nas democracias contemporâneas,
em alguma medida, perpassadas pela chamada reflexividade. Nesse sentido, o estudo de
controvérsias, em termos de teoria e método, nos permite o mapeamento de diferentes
epistemes (leigos, experts) que reivindicam participação em debates tecnocientíficos
cujas implicações concernem diretamente à vida (social e biológica) dos indivíduos,
como, por exemplo, o consumo de transgênicos, a construção de barragens, o uso de
vacinas, o consumo de carne e outros alimentos. Por fim, nosso intuito é promover o
debate sobre como os novos formatos de participação pública em instâncias decisórias de
caráter associativo, provisórias ou duradouras, fazem sentido em nossas democracias e
dialogam com categorias como epistemologias cívicas, públicos recursivos e cidadania
científica. Desse modo, a análise de controvérsias é um exercício pedagógico-científico
que tem por objetivo compreender como conflitos e interesses se confrontam em questões
empíricas e também desenvolver habilidades de coleta e análise de informações
heterogêneas, bem como sintetizar e articular argumentos.
Uma vez que se tenha uma compreensão inicial da controvérsia, de sua relevância pública
e de seu caráter transepistêmico, faz-se necessário aprofundar as pesquisas de modo a
identificar e compreender as questões, os atores envolvidos e os diferentes argumentos
em torno do debate público. Nesse ponto, diversas fontes de dados podem ser
empregadas, por exemplo, bases de dados cientificas, literatura técnica, imprensa. Por
fim, nos tempos atuais, a circulação de informação está longe de ser controlada pelas
redes de pesquisa ou pela imprensa. Desse modo, faz-se necessário buscar também os
dados disponíveis na internet, por exemplo, blogs, portais especializados, sites de
associações, grupo de interesse e também nas redes sociais. Nesse caso, ferramentas de
busca de informação do tipo crawler, tais como WebSphinx, Spiderzilla e NaviCrawler
permitem fazer buscas em websites e seus links de forma sistemática. Os dados coletados
são processados em softwares para análise de redes. Nesse caso, ferramentas como
UCINET, CorText e GarganText auxiliam na automação das tarefas de processamento
dos dados e identificação de associações entre palavras que podem representar assuntos,
questões, atores, argumentos etc.
Plano de trabalho
O curso será estruturado em três sessões:
Sessão 1: Introdução ao estudo de controvérsias. Relevância dos estudos de
controvérsias. Abordagens de pesquisa. Exemplos de controvérsias.
Sessão 2: Definindo uma controvérsia cientifica. Como estudar uma controvérsia:
Cartografia do debate público em diferentes fontes de dados, Atores da controvérsia,
Histórico da controvérsia, Locus onde a controvérsia se desenvolve. Discussão geral dos
temas que circundam a controvérsia, Desfecho da controvérsia: relações de poder.
Sessão 3: Ferramentas de Coleta e Análise de dados. Fontes de Dados: Base de dados
Scielo; Web of Science: Jornais; Revistas, Internet etc. Levantamento de dados:
Navicrawler; Gargantext; outros, Processamento e Representação dos dados: CorText;
Gephi e outros. Interpretação dos Resultados

Claudinea Flachetti Nunes
Fernando Severo
Suseli de Paula Vissicaro

Diferentes pesquisadores e publicações diversas apontam para a importância da utilização de reflexões sobre História das Ciências (HC) no ensino de ciências, em suas diferentes modalidades, com o objetivo de promover uma Educação Científica, na qual a mesma se apresente de forma não neutra, acessível socialmente, como resultado de um processo histórico e dentro de uma proposta reflexiva, que de antemão revela a possibilidade de
refletir sobre a natureza da ciência. Tal perspectiva busca possibilitar através desta (HC), compreender as relações entre ciência, tecnologia e sociedade, localizando a ciência histórica e culturalmente, influenciando e sendo influenciada pela sociedade na qual está inserida.

Almejando levar este trabalho para as salas de aula da Educação Básica, bem como difundir e socializar com aqueles que estão no entorno, propomos a construção e a utilização de jogos que introduzam ou sistematizem episódios de história das ciências, com vistas a estimular o
debate sobre o valor atribuído à ciência. Observou-se uma gama de trabalhos voltados para sua utilização da HC no ensino médio e superior, com uma carência declarada de trabalhos no ensino fundamental. Observa-se também que não existem muitos trabalhos que apontem para o uso de jogos com esta temática, que acreditamos ter um potencial educativo importante, dado seu caráter lúdico, e que deve começar desde cedo já nos anos iniciais da escolaridade. Assim, esta proposta busca se justificar pertinente na contribuição formativa e reflexiva dos educadores que atuam na Educação Básica.

Objetivos:

  • Refletir sobre a possibilidade de utilização da HC no ensino.
  • Reconhecer e valorizar práticas exitosas que preconizam um trabalho fundamentado, contextualizado e significativo.
  • Promover a oportunidade de elaboração de propostas que privilegie a HC no ensino e o
    compartilhamento entre os pares.
  • Refletir sobre a possibilidade de construir jogos utilizando a História das Ciências, como forma de socializar o conhecimento construído em sala.

Descrição da proposta:
1º encontro: Breve histórico da História das Ciências e as principais correntes historiográficas. Composição do cenário da HC no ensino e suas contribuições pedagógicas.

2º encontro: História das Ciências na prática pedagógica: apresentação de propostas de utilização da HC no ensino – episódios, história das invenções, leitura de textos originais. Seleção bibliográfica de boas práticas. Apresentação de propostas que utilizam o jogo como elemento para introduzir ou sistematizar o trabalho com a História das Ciências.

3º encontro: Construção e socialização de propostas de jogos que trabalhem com a História das Ciências para aplicação em sala de aula de acordo com a modalidade educativa presente.

Jorge Cardoso Messeder

A existência de um enfoque sociocientífico nas estruturas curriculares das licenciaturas se faz importante, pois tal abordagem diferencia e melhora o processo ensinoaprendizagem e tem, cada vez mais, que figurar na formação continuada do professor, que se inicia no período das graduações. Tal importância se faz também formação do estudante, do nível mais fundamental até o seu ingresso nas universidades, para que este tenha capacitação de qualidade e alcance seu espaço durante o processo de inserção social. Devido à importância de conhecimentos sobre Ciência e Tecnologia com responsabilidade social, muitas pesquisas tem sido alcançadas na busca de práticas educativas no Ensino de Ciências, alicerçadas nos estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), que auxiliem na formação de um estudante capaz de ler cientificamente o mundo que o cerca. Para que as propostas de ensino CTS ocorram de fato, e sirvam como aporte para a práxis educacional, torna-se primordial um novo formato de currículo na abordagem de temas sociais, além do uso de diferentes tipos de recursos didáticos. Neste sentido, observa-se a necessidade da confecção e da apropriação de novos recursos educacionais que estejam mais próximos da realidade dos estudantes. Além das práticas realizadas tradicionalmente nas escolas, existem as que ocorrem nos chamados espaços não formais, com o intuito de investigar as reais carências de saberes em relação aos temas sociocientíficos presente no dia-a-dia. Com isso, espera-se que ocorra um desenvolvimento da práxis desses futuros professores, propiciando a prática curricular em ciências em espaços além da sala de aula.
O objetivo deste minicurso é promover discussões sobre tendências metodológicas aplicadas no Ensino de Ciências, enfatizando recursos de multimídia, que exploram temas científicos do cotidiano, e como avaliar o potencial educativo desses materiais numa concepção de um ensino CTS. Sua base empírica é alicerçada em diversos trabalhos sobre os benefícios de um ensino CTS praticado em cursos de graduação e de pós-graduação, voltado para todos os segmentos da educação básica.

O minicurso será dividido em três encontros, nas quais serão abordadas as seguintes questões:
a) Concepções e práticas pedagógicas do professor de ciência;
b) Identificar possíveis estratégias metodológicas para abordagem de temas científicos diversificados em aulas de ciências, com ênfases no ensino fundamental e em espaços não formais de educação;
c) Como usar recursos midiáticos variados direcionados ao ensino de ciências numa temática social;
d) Como avaliar a relação de ensino e aprendizagem diante das práticas educativas com enfoque CTS.

Ricardo T. Neder
Lua Isis Braga Marques

PROPOSTA

O minicurso está concebido como uma abordagem dos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia (ESCT) para situar os movimentos pela tecnologia social entre dois campos tradicionais de geração do conhecimento científico; um tradicionalmente dominado pelas ciências físicas e disciplinas tecnológicas, e o outro definido pelo território das ciências sociais, humanas e artes. Ambos os campos, a separação e as contradições entre eles têm sido erodidos por três processos.

O processo A corresponde ao modelo de ciência crescentemente subordinada à produção tecnológica (tecnociência). Isto interfere, altera e transforma o antigo/tradicional intercâmbio disciplinar e interdisciplinar nos dois campos das ciências; podemos mencionar como caso exemplar, o dos transgênicos na agricultura e do geneticismo na medicina cujos sujeitos têm adotado forte retórica determinista sob a forma de violência epistêmica.

O processo B tem sentido oposto, e abarca posições de críticas e demandas sociais na universidade e movimentos culturais, no sentido de incluir valores socioculturais e posturas éticas (antes e depois) das políticas governamentais de fomento direto de C&T no âmbito do sujeito empresarial e/ou corporativo.

O processo C corresponde ao movimento sociotécnico e cultural em torno da revisão radical dos processos A e B. Propõe em seu lugar um programa de coexistência (ampliação ou coexistência passivo-ativa, conflito, identificação dos meios de coordenação próprios, etc.) das instituições e atores, instituições e políticas convencionais de CT&I visando à inclusão social. Destaca-se neste movimento o da Adequação Sociotécnica/Tecnologia Social, no quadro latino americano cujos dados e cenários, pressupostos e pesquisa indicam que – além dos cientistas que geram ciência para inovações tecnocientíficas – há também outros múltiplos sujeitos sociais capazes de se apropriar de processos cognitivos de aprendizagem e saber-fazer desde que seja construída uma articulação qualificada com o fenômeno tecnológico (sociotécnico) na esfera pública popular. Esse é o núcleo mais sensível e expressivo das potencialidades do processo C que deve enfrentar a violência epistêmica da tecnociência, com propostas de ação e formulações teóricas próprias.

 

OBJETIVOS:

  • GERAR uma instância dialógica de trocas de ferramentas e metodologias capazes de levar ao entendimento ético do conflito diante do determinismo tecnológico e das manifestações de violência epistêmica de segmentos da comunidade científica contemporânea;
  • SISTEMATIZAR EM LINHAS GERAIS as dificuldades e necessidades enfrentadas hoje pelos que defendem a adequação sociotécnica & tecnologia social como plataforma cognitiva diante dos processos A, B e C;
  • SITUAR brevemente a título indicativo as experiências de movimentos/sujeitos em torno da Agroecologia em luta contra a violência epistêmica da Agronomia OGM.
Bethania Medeiros Geremias
Raquel Corrêa

Ao abordar estudos sobre controvérsias sociotecnológicas, Corrêa e Geremias (2015, 2013) buscaram formular novas questões sobre o tema polêmico da usina de Belo Monte. Além disso, outros temas controversos, materializados em contexto real de formação de professores de ciências, no projeto do Observatório da Educação- Ciências , indicaram a relevância de problematizar as relações Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), nas quais esses temas tomam vida (GEREMIAS, 2016).

Na literatura, as controvérsias são compreendidas como disputas entre indivíduos ou grupos de indivíduos sobre um assunto de interesse comum (PESSOA-JUNIOR, 2012; RAMOS; SILVA, 2007; VELHO; VELHO, 2002). A partir de um olhar discursivo (ORLANDI, 2008) para as controvérsias científicas e tecnológicas, considera-se que nessas disputas, os sujeitos assumem diferentes posições discursivas para produzirem seus argumentos, instaurando o discurso polêmico em diversos espaços de circulação de sentidos, principalmente nos midiáticos. 

Parte-se da perspectiva de que temas científicos e tecnológicos controversos, ao circularem na sociedade: escolas, universidades, conversas cotidianas, televisão, jornais, revistas etc., produzem compreensões sobre assuntos da ciência e da tecnologia, que precisam ser debatidas e problematizadas (CASSIANI; LINSIGEN, 2010). Nesse sentido, a polêmica em torno do discurso da substituição do papel por suportes digitais, por ser uma questão presente no cotidiano de todos nós professores e futuros, pode ser uma alternativa para desencadear discussões fundamentadas e amplas sobre conhecimentos que envolvem a ciência e a tecnologia, tanto nos processos de produção dessas tecnologias (papel e artefatos eletrônicos/digitais) quanto de circulação e apropriação desses mesmos conhecimentos na sociedade (amplamente) e nas salas de aulas de ciências e sociologia (estritamente).

 

Objetivos:

 

i) aprofundar leituras sobre o trabalho com controvérsias, a partir de um olhar sobre as relações ciência-tecnologia-sociedade (CTS); 

ii) desenvolver a capacidade de argumentação e a defesa de posições informadas e críticas sobre assuntos polêmicos envolvendo a ciência e a tecnologia; 

iii) fornecer subsídios aos futuros professores para abordagem com temas controversos na Educação CTS.

 

Metodologia 

 

As atividades abaixo arroladas serão desenvolvidas em 03 momentos de 90 minutos:

 

– Debater sentidos e compreensões de controvérsia: no cotidiano, no dicionário, no Ensino de Ciências, foco nas relações CTS; Tipos de controvérsias e formas de encerramento. 

– Justificativa da escolha pelo tema controverso: substituição x não substituição do papel por suportes digitais;

– Divisão dos grupos para o júri simulado: O proponente (a posição de que o papel vai ser substituído); oponente (a posição de que o papel não vai ser substituído) e o terceiro (juiz); 

– Pesquisa e construção dos argumentos. Será entregue um roteiro com alguns pontos para observar nas pesquisas realizadas pelo grupo;  

– Desenvolvimento do Júri Simulado, no qual cada grupo, de acordo com seu papel, deverá se posicionar em função dos argumentos de defesa em prol da posição escolhida;

Obs.: As pessoas inscritas devem levar seus próprios computadores.