Oficinas Aprovadas

Marcos Cesar Danhoni Neves

A proposta da oficina é a de apresentar dois clássicos do cinema genericamente denominados de “ficção científica”. A primeira abordagem é diferenciar ficção de fantasia científica e para tanto escolhemos os filmes 2001, uma odisseia no espaço e as trilogias Star wars. Os dois filmes foram produzidos com cerca de 20 anos de diferença (um na década de 1960 e outro na de 1980). A ideia é explorar os aspectos visuais, conceituais, cinematográficos e temáticos de ambos os filmes. Para 2001, o fato de ter sido lançado em 1968, um ano antes da conquista da Lua, abrangendo conceitos de imponderabilidade, conservação do momento angular, atrasos de comunicação, evolução humana, relatividade, suspensão criogênica, dinâmicas astronáuticas, outras civilizações no espaço, etc., elevam o filme de Stanley Kubrick ao nível de um clássico cultuado até nossa contemporaneidade. Por outro lado, as trilogias Star wars, de George Lucas abrangendo batalhas épicas, física não inercial, cessante causa cessat efectus, meios plenos, duelos de “espadas” lasers, etc. Os dois filmes não poderiam ser mais , distintos mas, por outro lado, tão iguais posto que Cult movies e que arrastou gerações durante décadas para discussões acerca das potencialidades do gênero para um debate sobre a cultura, a divulgação, a educação científica e tecnológica e para a clássica dualiade filosófica existencial: de onde viemos e para onde iremos? Mais que apresentar os filmes, a oficina explorará as poéticas visuais destes propondo àqueles que a cursarem trabalhos de expressão fotográfica envolvendo uso de maquetes, efeitos visuais, distorções óticas, desenhos e pinturas por meio da estimulação criativa das naturezas imagéticas das duas produções.

Wilson José Alves Pedro
Brunela Della Maggiori Orlandi
Maísa Maryelli de Oliveira
Kemilly Bianca de Mello
Maribel Deicy Villota Enriquez

Introdução

A população brasileira passa por um rápido processo de envelhecimento. Estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que a população idosa do país vai triplicar em 40 anos, saltando de 19,6 milhões (10% da população brasileira) em 2010 para 66,5 milhões em 2050 (29,3%). Em 2030, o número absoluto e o percentual de brasileiros com 60 anos ou mais de idade vão ultrapassar o de crianças de 0 a 14 anos. Os idosos chegarão a 41,5 milhões (18% da população) e as crianças serão 39,2 milhões (17,6% dos brasileiros) (IBGE, 2016). Essa virada no perfil etário da população impacta diretamente nas políticas públicas de saúde e no modo de cuidar das pessoas. Neste cenário de mudanças pelas quais o Brasil deve passar nos próximos anos, é fundamental desenvolver políticas e estratégias para prevenir, controlar e orientar o tratamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, que causam incapacidade funcional, ou seja, comprometem a capacidade dos indivíduos manterem uma vida autônoma. Sabe-se que a perda de independência nas atividades cotidianas e as perdas cognitivas, ao mesmo tempo em que trazem gastos para o sistema de saúde pública, aumentam significativamente o risco de institucionalização ou de morte do idoso. Por outro lado, vale lembrar que pesquisas em universidades e institutos apresentam resultados promissores na prevenção e controle das DCNT. Por tudo isso, entende-se que a democratização do conhecimento científico sobre as DNCT é fundamental para que os indivíduos saibam como evitar a emergência dessas doenças ao longo da vida, para que as pessoas acometidas e seus familiares tenham acesso a pesquisas científicas e informações sobre potenciais tratamentos. Além disso, a popularização de informações sobre as DNCT é crucial para a formação do senso crítico da sociedade sobre o tema, de modo que os cidadãos tenham condições de cobrar ações de saúde pública direcionadas ao controle e ao tratamento dessas doenças.

Objetivo

O objetivo desta oficina, que tem como público-alvo interessados na introdução às práticas de disseminação do conhecimento científico sobre saúde e envelhecimento, é discutir e propor estratégias de divulgação científica sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) com foco no envelhecimento com qualidade de vida.

Proposta da atividade

1) Apresentação das definições conceituais sobre divulgação científica e exemplos de peças comunicacionais sobre as quatro DNCT de maior impacto mundial – doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e doenças respiratórias crônicas.

2) Divididos em grupos, os participantes deverão identificar e discutir os aspectos positivos e as limitações de cada peça de divulgação.

3) Ao final da oficina, cada grupo deverá desenvolver um “produto” de divulgação científica sobre alguma DNCT – por exemplo, um artigo, uma poesia, uma charge, etc.

4) Compartilhar o resultado da atividade com os demais participantes da oficina.

Resultados esperados

Espera-se que seja possível apontar a importância e as possibilidades de ação para a popularização do conhecimento científico sobre as DNCT.

Recursos utilizados

Computador, data show, revistas de divulgação científica, folhas de papel e canetas.

Laura Cristina de Toledo Quadros
Márcia Oliveira Moraes
Dolores Cristina Gomes Galindo
Ana Claudia Lima Monteiro

O objetivo desta oficina é promover uma sensibilização em torno do feminino na ciência tendo como dispositivo o pensamento e  os escritos de Donna Haraway , Isabelle Stengers, Vinciane Despret e Gloria Anzaldúa. Estão, portanto, articulados nessa proposta os temas : corpos e escritas – incluindo aí a noção de que o conhecimento se dá de forma situada e encarnada; os feminismos – considerando a multiplicidade do pensamento feminista  na ciência e na pesquisa entrecortados pelas diferenças; modos de resistir – ressaltando que o feminino na ciência é um tipo de recalcitrância que acontece através de uma política ontológica, nas formas de fazer ciência ao longo da história; tecnociências  reafirmando a próprio fundamento que anima o ESOCITE no qual, como contraponto à modernidade,  reafirmamos a impossibilidade da dicotomia natureza e sociedade.  Nesse sentido, acompanhamos o olhar de Haraway, Stengers, Despret e Anzaldúa que nos trazem a experiência feminista dialogada com a Teoria Ator-rede nos apontando também  um conhecimento em movimento, destituído de verdades absolutas e constituído por redes e arranjos híbridos.  Desse modo, ressaltamos que um dispositivo de pesquisa  define-se como um arranjo heterogêneo de elementos que, uma vez agenciados, performa realidades. Pesquisar é, pois, prática arriscada, envolve transformações não previstas. Nesse sentido, a pesquisa é um fazer artesanal que se constitui  numa política ontológica na qual somos também responsáveis acerca do que fazemos aparecer – ou também desaparecer em nossos relatos de pesquisa. A partir das conexões entre as feministas supracitadas,  compartilharemos o que produzimos em nosso coletivo de pesquisadores/as em psicologia no Brasil, um país de dimensões continentais,   entrelaçadas como uma rede de conexões e afetações a partir desse manejo afirmado como pesquisarCOM (MORAES, 2010). Tal manejo encontra ressonâncias com a metáfora do(a) pesquisador(a) como caçador(a) solitário(a)  de Stengers (1989) disposto(a) a esperar,  conhecer o tempo do interlocutor, transitando delicadamente pelo território da pesquisa, atentando para as singularidades. Nossa oficina apresentará pontos dialogados entre nosso coletivo e as autoras feministas citadas e retalhos em brim que seguem como metáfora de nossas costuras nesse coletivo, configurando a pesquisa como um fazer artesanal e também como materialidade de nosso resistir, nossa condição de permanecer repassando nossas narrativas que , a partir da oficina proposta, continuarão a ser reconfiguradas num fazer contínuo, inacabado, continuando a inscrever novas narrativas na história de nosso cotidiano como pesquisadoras de universidades públicas no Brasil. Faremos ao fim (que será metafórico, aberto), um painel com as produções que surgirem espontaneamente a partir de nosso dispositivo.

Andrea Carla de Azevêdo
Hermes Magalhães Tavares
Sérgio Ricardo da Costa Simplício

A proposta da oficina é discutir a natureza das políticas públicas de enfrentamento da escassez hídrica no Semiárido brasileiro no contexto da retomada dos debates sobre o desenvolvimento regional. Analisa-se como a questão da água está pautada no desenvolvimento do Semiárido e de que forma as políticas publicas relacionadas a questão hídrica, particularmente os Programas Água Doce (PAD) e Um Milhão de Cisternas (P1MC), vem sendo apresentados como alternativas de acesso e democratização da água.

O discurso do desenvolvimento para o Nordeste, particularmente para o Semiárido, continua vinculado à problemática da água na região. Nesse sentido, os projetos de intervenção para o desenvolvimento da região semiárida sempre foram executados pelo Estado Brasileiro de diferentes maneiras em distintos momentos. Via de regra, as políticas públicas de enfrentamento a escassez hídrica, concebidas para a Região do Semiárido brasileiro, evidenciaram o paradigma de “combate às secas”, que predominou em quase todo o século XX. A mudança de paradigma para convivência com o Semiárido teve início nos anos de 1980, ganhou força nos anos de 1990 e se consolidou nos anos de 2000.

Importante compreender que o Semiárido tem uma formação geológica que influencia fortemente na disponibilidade hídrica da região. Em geral, as águas são poucas, de volumes finitos e, como se isso não bastasse, de má qualidade. As águas que têm contato com esse tipo de estrutura se mineralizam com muita facilidade, tornando-se salinizadas (SUASSUNA, 2000)

O planejamento de soluções para o fornecimento de água aos habitantes do Semiárido brasileiro, especialmente para aqueles que vivem nas localidades rurais difusas, tem assim, dois desafios: (1) a garantia de sustentabilidade, de forma que as atividades econômicas e sociais desenvolvidas tenham continuação e dinâmicas independentes da existência ou não de um evento de seca (FERNANDES, 2002); e, (2), o fim das privações que comprometem a experiência das liberdades instrumentais, sem as quais não há desenvolvimento nos termos definidos por Sen (2000).

Objetivo Geral da Oficina

Construir uma cartilha com informações básicas sobre as políticas públicas de água para o Semiárido buscando informar e despertar a conscientização da população assistida.

Objetivos Específicos

O trabalho produzido na oficina será distribuído com os atores beneficiados com os Programas Um Milhão de Cisternas e Água Doce, nas cidades de Amparo, Aroeira e Sumé, no Semiárido paraibano.

Resgatar a parte histórica, desde a tecnologia das obras hidráulicas, sobretudo os grandes açudes públicos, poços artesianos, até as tecnologias mais recentes, buscando olhar sempre os aspectos positivos e negativos.

METODOLOGIA

No primeiro momento, será feita uma dinâmica com músicas e imagens relacionadas ao tema da água para criar uma atmosfera de acolhimento.

No segundo momento, será feita uma abordagem histórica das obras hidráulicas e das tecnologias recentes com dados estatísticos gerais referentes ao Semiárido brasileiro e mais detalhadamente sobre a Paraíba, trazendo na discussão uma abordagem geográfica para compreendermos a contextualizarmos os agentes físicos que interferem no clima, na vegetação, no solo, na qualidade e quantidade da água e, consequentemente, na vida da população. Além de estabelecer uma discussão introdutória sobre a propriedade da terra na região.

No terceiro momento, o grupo será dividido e trabalhará um tema proposto relacionado à água para assim produzirem uma cartilha informativa para ser posteriormente distribuídas nos municípios de Amparo, Aroeiras e Sumé, no Semiárido paraibano.

César Augusto Paro
Neide Emy Kurokawa e Silva

Criado pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal (1931-2009) na década de setenta, o Teatro do Oprimido defende que a arte é uma vocação humana, propondo um sistema de exercícios físicos, jogos estéticos, técnicas de imagem e improvisações especiais enquanto instrumento eficaz na compreensão e busca de soluções para os problemas sociais e interpessoais.

Propõe-se com este fazer teatral a “queda do muro” entre o palco e a plateia, entre o espetáculo teatral e a vida real e entre artistas e não-artistas, visando a transformação do espectador – ser passivo, recipiente, depositário – no que Boal denominou de “espect-ator” – protagonista da ação dramática, sujeito, criador, transformador.

Teatro-fórum, teatro imagem, teatro invisível, teatro jornal, teatro legislativo e arco-íris do desejo são as técnicas que compõe o arsenal do Teatro do Oprimido. Jogos e exercícios – ou, como idealizado no método, joguexercícios – também compõem a estruturação do método, dado que estes buscam a desmecanização do corpo e da mente para o trabalho teatral.  Por fim, o fazer teatral é entendido como apenas o ponto de partida para a atuação cidadã, dado que as atividades do método devem proporcionar o estímulo para ações sociais concretas e continuadas, como nos provoca Boal: “arte é Política. Teatro é movimento: mostra ações humanas, atos sociais, e todas ações humanas têm sentido, meta e significado. Por que parar quando baixa o pano? Aí começa!”.

O Teatro do Oprimido propõe também que o teatro transcenda de uma mera compreensão da realidade, da reflexão sobre o passado, para que possa ser um ensaio para a realidade, um preparo para o futuro, intervenção concreta no real, ancorado numa perspectiva crítica de reinvenção, mudança e inovação e tendo como valores a cidadania, participação popular, emancipação social e protagonismo social.

Tal escolha ética e política, que toma partido dos oprimidos, afina-se com os princípios da tecnologia social, em sua vertente mais problematizadora e de defesa de uma sociedade mais igualitária, que tem no seu cerne a importância do protagonismo e da participação na operação das transformações sociais.

Mesmo considerando tal aproximação, indaga-se sobre as possibilidades e limites da conformação ou do entendimento do Teatro do Oprimido no âmbito de uma tecnologia social, incorporando um padrão técnico e com possibilidades de reaplicação.

A oficina tem como objetivo refletir sobre este fazer teatral enquanto uma tecnologia social para a solução de problemas locais e sociais, a partir de alguns métodos clássicos do Teatro do Oprimido.

Esta oficina tem como público-alvo estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais que atuam nas mais diversas áreas sociais com ou sem experiência prática na condução de trabalhos envolvendo o Teatro do Oprimido.

A partir dessa vivência, que deve dialogar com os pressupostos norteadores da noção de tecnologia social, os participantes serão convidados a discutir sobre as possibilidades e limites, conceituais e práticos, de se tomar o Teatro do Oprimido como uma tecnologia social. Ao final da discussão, espera-se que por meio de uma das técnicas do Teatro do Oprimido o grupo expresse suas conclusões, que, com o consentimento dos membros, será gravado em vídeo para visualização pública posterior.

Recomenda-se o uso de roupas leves e que possam permitir o trabalho com o corpo.

MPL/Núcleo da unB

Utilizando Ciências Sociais para defender direitos: uma metodologia de análise, monitoramento e intervenção do passe livre estudantil